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27/01/2010 - 00h29

Banco dos EUA aponta política como uma das maiores preocupações com Brasil

FolhaOnline

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ALTERA O
TAMANHO DA LETRA

O Bank of America aponta o cenário político do Brasil como uma das maiores preocupações que os investidores devem ter com a economia nacional neste ano. "O mercado está subestimando o risco de mudanças na política [econômica] após as eleições, em nossa opinião", avalia a equipe de analistas do banco americano.

 

Em relatório intitulado "Brazil: 10 questions for 2010" (Brasil: dez questões para 2010), os economistas da instituição listam os maiores pontos de interesse que devem ser monitorados sobre o país neste ano.  Especificamente sobre o cenário político, eles comentam: "enquanto a polarização entre [José] Serra [possível candidato do PSDB à presidência da República] e Dilma [Roussef, possível candidata governista] seria vista como positiva pelo mercado (...) há várias incertezas e questões que precisam ser respondidas por ambos os candidatos".

 

"Permanece incerto quão independente será o Banco Central em qualquer uma das administrações. Enquanto um governo sob José Serra do PSDB seria provavelmente uma surpresa positiva nos campos fiscal e das reformas, continua incerto até que ponto o Banco Central seria intervencionista no caso do câmbio. Sob Dilma, seria mais provável o mesmo em termos de administração da política macroeconômica --mas sem o capital político de [Luiz Inácio] Lula, há um maior risco na execução", comenta a equipe de analistas do banco.

 

Esses analistas descartam a inflação como "preocupação principal" mas projeta um ajuste na taxa básica de juros (hoje em 8,75% ao ano) a partir de junho, possivelmente de 0,25 ponto percentual, além de mais três aumentos consecutivos de 0,50 ponto.  Ao se fazer a questão: "O que poderia dar errado", os economistas apontam como risco, além de mudanças inesperadas na política econômica após as eleições, "um choque externo", que poderia acarretar aumentos nos preços das commodities, pressionando a inflação doméstica e afetando a trajetória dos juros prevista para este ano.  Os analistas da instituição também não veem maiores riscos na situação fiscal do país, citando o compromisso do Tesouro em atingir um superavit de pelo menos 3,3% do PIB neste ano.

 

O Bank of America estima um crescimento de 5,1% para todo o ano de 2010. A taxa Selic deve encerrar o ano em 10,50% enquanto a taxa de câmbio, em R$ 1,62, mas com muitas oscilações ao longo do ano.



 
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