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17/01/2010 - 13h24

Tecnologia e moda são 'antídotos' de calçadistas brasileiros contra a China

37ª Couromoda, principal evento do setor, começa nesta segunda-feira. Setor busca público disposto a pagar mais por produtos diferenciados.
Ligia Guimarães

G1

ALTERA O
TAMANHO DA LETRA

Começa nesta segunda-feira (18) em São Paulo a 37ª edição da Couromoda, principal evento do setor calçadista nacional que prevê movimentar cerca de R$ 8 bilhões em produtos que representarão até 30% estoque dos lojistas para 2010. No ano passado, a feira movimentou R$ 6,7 bilhões.   De olho na recuperação das exportações - que caíram de US$ 5,1 bilhões em 2007 para US$ 3,4 bilhões em 2009, abatidas pela crise e pelo câmbio -, os fabricantes dedicam esforço e investimentos para atrair novos compradores agregando conceitos de moda e tecnologia aos produtos. 

 

A ideia, segundo representantes do setor, é fugir do embate direto com os baixíssimos preços chineses e conquistar cada vez mais o público disposto a pagar mais por qualidade diferenciada.  "Embora a nossa feira seja mais voltada para o mercado doméstico, nossa preocupação é o mercado internacional. Fizemos um esforço para ter compradores da Europa nesta edição", diz o presidente do grupo Couromoda, Francisco Santos.  "Nossa indústria passou por várias crises e se aprimorou. A tendência agora é a de oferecer produtos de maior valor agregado", diz Santos, que destaca o bom momento no mercado brasileiro, que teve desempenho além do esperado nas vendas de Natal.

 

Contra China

Embora temporariamente "protegidos" da esmagadora concorrência asiática em razão da taxação antidumping determinada pelo governo brasileiro sobre calçados importados da China, a busca por novas fatias de mercado em que preços mais altos ainda são atraentes é vista como estratégia importante pelo setor.  É o caso da empresa gaúcha Picadilly, que fatura cerca de R$ 230 milhões por ano e recentemente transformou a marca para aumentar as vendas entre consumidores que não eram sua prioridade até então.

 

"A gente não sabe quanto tempo o governo vai manter essa medida (antidumping). Ter um produto que atenda as necessidades do público a um preço razoável e com moda é uma ótima opção, porque os chineses não têm trazido produtos de moda ao Brasil", diz Paulo Grings, presidente da companhia.  A Picadilly, que sempre dedicou-se a produtos para pessoas que se importam mais com conforto do que tendências fashionistas, traz para esta edição da feira produtos mais sofisticados e modernos.

 

Beleza e qualidade

A tática é recomendada também para agradar consumidores do mercado brasileiro. Para Grings, é preciso estar preparado para atender a demanda crescente e que - espera-se - promete ser aquecida em 2010.  "A população que está caminhando para a classe média precisa de um sapato de boa qualidade, conforto e bonito visualmente, porque não tem dinheiro para errar na compra e precisar de outro calçado", diz Grings.

 

Na opinião de Alex Peter Kalies, um dos "cônsules" eleitos pela organização da Couromoda para divulgar informações sobre a feira para lojistas, o caminho para aproveitar a retomada da economia este ano é a inovação.  "As empresas que não investirem em novidades, produtos novos, ficarão para trás. Quem imaginar que vai vender a mesma coisa do ano passado não precisa nem ir para a feira", afirma.



 
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