BRASÍLIA - A taxa de inadimplência das operações bancárias com pessoas físicas subiu para 8,6% em maio, o maior patamar da série iniciada pelo Banco Central (BC) em 1994. Esse recorde foi puxado, principalmente, por atrasos no cheque especial, cuja inadimplência atingiu 10,8%, também a mais elevada da série.
" Os números refletem o que ocorreu no ápice da crise " , disse o chefe do Departamento Econômico do BC, Altamir Lopes. Segundo ele, a expectativa é de que a inadimplência das famílias recue daqui para a frente, se houver maior regularização na oferta de crédito.
" Não dá para afirmar, mas é provável que caia com a volta da liquidez bancária " , principalmente com o retorno esperado nas operações de bancos de pequeno porte, explicou o técnico do BC.
Os dados mostram que, desde o início da crise financeira global, em setembro de 2008, a taxa de inadimplência das pessoas físicas passou a crescer mensalmente, saindo de 7,3% em março para 8,4% em abril, e 8,6% no mês passado.
Lopes explica que o crédito vinha de uma forte expansão, iniciada em 2006, mas sofreu " uma queda abrupta " com a seca de liquidez provocada pela crise. " Houve a interrupção brusca das fontes de financiamento das famílias " , destacou ele.
Ele lembrou ainda que o BC só considera inadimplência, as operações com atrasos superiores a 90 dias. " Pode ser que a pressão mais forte sobre a falta de fontes de financiamento tenha ocorrido no mês passado, mas sem dúvida é reflexo desse período de crise " , explicou Lopes.
No caso das empresas, a taxa de inadimplência também subiu, de 2,9% em abril para 3,2% no mês passado. A taxa geral passou de 5,2% a 5,5%, a mais elevada desde setembro de 2000, quando esteve em 5,7%.