A classe C já utiliza vários tipos de serviços virtuais, mas em baixa frequência e em contextos pontuais. A tendência é que as organizações privadas e públicas coloquem em prática estratégias para deixar esse público mais confortável no ambiente virtual, usufruindo suas potencialidades.
Para Rodrigo Abdala, pesquisador do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), a eventual disseminação da chamada banda larga popular pode colocar à disposição de uma larga fatia da população vários serviços públicos - hoje restritos às camadas A e B ou que simplesmente não são oferecidos pelas autoridades. "Para isso, o governo deve investir mais em seus serviços eletrônicos, a fim de estreitar sua relação com o cidadão e facilitar ações relacionadas à aposentadoria, arrecadação de tributos, abertura de processos e acesso à informações do governo", diz Abdala.
Outro serviço que deve ser ampliado a mais brasileiros é o internet banking. Na avaliação de Márcio Couto, coordenador de projetos do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) e da Fundação Getulio Vargas (FGV), o movimento trará benefícios para os correntistas, mas também para as instituições financeiras. "Esses consumidores não terão que se deslocar mais e enfrentar filas", diz. "Já os bancos poderão atingir as faixas sociais mais baixas com seus serviços."
A médio prazo, a tendência é que os profissionais sejam especialmente beneficiados. Aqueles que já divulgam seus serviços pela rede - como dentistas, advogados e médicos - deverão garantir facilidade de acesso ao novo público. Em contrapartida, poderão ganhar novos clientes.