A filial brasileira da rede varejista Walmart anunciou nesta sexta-feira que suspendeu temporariamente seus contratos de compra com a gigante sucroalcooleira Cosan --que fabrica, entre outros, as marcas de açúcar União e Da Barra. Segundo a empresa, a suspensão está relacionada à entrada da Cosan na "lista suja" de trabalho escravo do Ministério do Trabalho, que ocorreu no final do ano passado.
"O Walmart é, desde a criação, signatário do Pacto Nacional pela Erradicação do Trabalho Escravo no Brasil", apontou a rede varejista em comunicado. "O Walmart reitera que repudia veementemente qualquer prática que não respeite os direitos humanos."
Devido ao mesmo problema, o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) suspendeu ontem todas as operações com a Cosan. De acordo com o banco, a medida tem caráter preventivo e a concessão de financiamento só ocorrerá após a Cosan sair do cadastro que lista empresas que mantém trabalhadores em situação análoga à de escravos. "A celebração de novos contratos com o BNDES fica condicionada à exclusão da companhia do referido cadastro", informou o banco em nota.
A Cosan foi incluída na "lista suja" no último dia 31 de dezembro, após 42 trabalhadores terem sido resgatados da usina Junqueira, em Igarapava, extremo norte de São Paulo. A gigante do setor sucroalcooleiro alega que a empresa José Luiz Bispo Colheita - ME, que prestava serviços na usina, era responsável pelos trabalhadores, e que assim que tomou conhecimento do fato, a exclui da sua lista de fornecedores.