O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) deve retomar na quarta-feira (dia 17) o julgamento da operação de compra da fabricante brasileira de bebidas Matte Leão pela multinacional norte-americana Coca-Cola, ocorrida em 2007. Em outubro do ano passado, quando o Cade iniciou o julgamento, o relator do caso, conselheiro Paulo Furquim, apresentou relatório favorável à aprovação do negócio, mas com imposição de restrições. Furquim votou para que a Coca-Cola seja obrigada pelo conselho a abrir mão da marca Nestea, de chá pronto para beber.
Na avaliação do relator, a união das duas empresas no segmento de bebidas não alcoólicas no Brasil criou "preocupações de natureza concorrencial". Argumentando que é necessário proteger o interesse da maioria dos consumidores, ele votou pela proibição de que a Coca-Cola produza e comercialize o Nestea no País e pela venda dessa parte do negócio para um terceiro interessado.
O julgamento foi interrompido pelo conselheiro Carlos Ragazzo, que pediu que o processo fosse convertido em diligência para o levantamento de mais informações sobre o mercado brasileiro de chá pronto para beber. Na próxima quarta-feira, de acordo com a pauta de julgamentos do conselho, Ragazzo deverá levar seu voto ao plenário para que o assunto volte a ser examinado.
Outro tema pautado para a sessão de quarta-feira, no Cade, é o processo de incorporação do Banco do Estado do Piauí (BEP) pelo Banco do Brasil (BB), formalizado no final de 2008. Também esse negócio é relatado pelo conselheiro Paulo Furquim. Com a incorporação do BEP, o BB passou a atender 224 municípios piauienses. Outras operações recentes do BB ainda terão que ser julgadas pelo Cade, como a aquisição do Banco Nossa Caixa e a compra de ações do Banco Votorantim. A sessão, na quarta-feira, começa às 10 horas.