A TAM SA, maior companhia aérea do Brasil, espera que o mercado doméstico de aviação vá crescer até 12% no ano que vem, com a contínua expansão do nível de emprego e da renda na maior economia da América Latina, e também com novas promoções para atrair clientes de baixa renda que nunca voaram.
"Economistas estão prevendo que a economia vai crescer cerca de 5% em 2010. Nós vemos o mercado de aviação crescendo o dobro disso, talvez duas vezes e meia mais", disse Líbano Barroso, que ontem foi confirmado como diretor-presidente da TAM depois de ocupar o cargo interinamente desde outubro. Atrair clientes de baixa renda que nunca voaram antes usando opções de pagamento fácil é uma das chaves para aumentar o mercado brasileiro de aviação, de US$ 6,5 bilhões, disse ele numa entrevista exclusiva.
O tráfego aéreo doméstico do Brasil quase dobrou desde 2003, tendo crescido entre 8% e 22% ao ano até 2008. Este ano, muito embora as companhias aéreas tenham esperado que a queda da economia fosse reduzir o movimento, os dados mais recentes indicam que o tráfego de passageiros cresceu 15%.
A demanda doméstica decorreu este ano da expansão das operações de companhias menores, lideradas pela Azul Linhas Aéreas Brasileiras, que ofereceu rotas alternativas a preços menores, levando as maiores do mercado - a TAM e a Gol Linhas Aéreas Inteligentes - a reagir com cortes de preços e expansão do serviço. Mas o alicerce foi a força da demanda interna durante a recessão mundial, que foi conduzida pelo aumento do salário e do consumo entre o operariado e a classe média.
A TAM e outras companhias aéreas agora estão querendo ir mais fundo nesse grupo de consumidores que está chegando ao mercado usando o recurso das compras parceladas. Este mês, a TAM anunciou acordos com o Itaú Unibanco e com o Banco do Brasil para oferecer planos de pagamentos em passagens aéreas. Correntistas podem obter as passagens com uma pequena entrada e pagar o restante em até quatro anos, depois de voarem.
A ideia é facilitar a compra de passagens para pessoas de menor renda como alternativa à viagem de ônibus - que ainda é o meio de transporte mais comum no país para viagens. Devido à migração em massa para centros urbanos como São Paulo e Rio que houve no Brasil desde os anos 40, viajar para visitar parentes em lugares distantes nos feriados gera muitas vendas para companhias de ônibus.
Embora as passagens aéreas ainda possam ser mais caras, em geral, do que as de ônibus, os preços caíram o bastante para que o tempo economizado numa viagem aérea pese na decisão do consumidor. b"O fato de que os pagamentos para as passagens então dentro do orçamento mensal das pessoas age como um grande estímulo", disse Barroso. A Gol foi a primeira a adotar a estratégia de pagamentos facilitados há cerca de seis anos. Seu programa agora tem 1,8 milhão de membros e forçou outras companhias a segui-la.
Por outro lado, as companhias aéreas estão buscando rotas alternativas para expandir seus negócios, ao mesmo tempo em que procuram meios de administrar o aperto nos aeroportos centrais do Brasil em São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília.
A TAM anunciou semana passada que havia comprado a Pantanal, por R$ 13 milhões. A Pantanal é uma companhia menor com apenas três turboélices e só 0,2% do mercado doméstico. Mas ela tem um ativo valioso: 126 vagas no aeroporto de Congonhas, em São Paulo, o mais movimentado do país. A proximidade de Congonhas aos centros de negócios da capital paulista faz dele o destino preferido por executivos, que compõem a maioria dos passageiros em voos locais. Mas fortes restrições a pousos e decolagens em Congonhas devido à curta extensão de suas pistas e à sua localização em meio a uma área residencial faz com que as vagas sejam muito cobiçadas.
"Vamos melhorar a Pantanal para atender à demanda para destinos menores", disse Barroso, embora não tenha dito quais cidades tem em mente para a expansão. Ele disse que os planos exatos para esse ativo ainda não foram traçadas, mas dsse que a companhia estaria no mercado para comprar novos aviões.
Enquanto isso, nos últimos meses a guerra de preço com a Gol, a Azul e outras concorrentes esfriou e as margens de lucro melhoraram. A TAM divulgou lucro de R$ 348 milhões no terceiro trimestre, recuperando-se de um prejuízo de R$ 663,6 milhões no mesmo trimestre do ano passado.