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Fernando Adas
Fernando Adas
Diretor de atendimento e planejamento da Fine Marketing, especialista em Comunicação Dirigida e Varejo. Na Fine Marketing, desenvolve projetos de atualização cadastral, pesquisas, RSVP e relacionamento com clientes junto à empresas do segmento imobiliário, telecom, eventos, serviços e varejo. Atua também como consultor em treinamento de equipes comerciais • fernando@fmarketing.com.br • www.fmarketing.com.br

 
13/11/2010 - 08h56

Vai uma Coca-Cola aí?

ALTERA O
TAMANHO DA LETRA

Vai um "refri" aí? Pra acompanhar um hot dog? Tudo por R$1,50. Seu refrigerante é light, zero ou normal? R$ 2,50, o copo médio. A Coca-Cola custa R$ 3,50 e posso trazê-la junto com o couvert?

 

No deck do resort, a Coca-Cola custa R$ 6,00 e pode ser degustada junto com a frigideira de camarões. E em Nova York, uma tela com a pintura de uma garrafa de Coca-Cola preta e branca, de Andy Warhol, foi vendida por US$ 35,36 milhões, no dia 09/11/10.

 


Obra "Coca-Cola (4) (Grande Coca-Cola)", de Andy Warhol, vendida por US$ 35,36 milhões

 

Decididamente, eu não sou eu. Você também não é você. Somos sempre aquilo que conquistamos. "Quem é você? Adivinha se gosta de mim!", já cantava Chico Buarque ("Noite dos mascarados"), décadas atrás. A frase motiva-nos a perceber que valor agregado cresce na proporção dos benefícios reconhecidos. Por isso, a força da marca ganha cada vez maior importancia às ofertas.

 

O ciclo de relacionamento com os clientes segue uma cronologia de estratégias. A primeira delas, foca esforços na apresentação da marca. Fala-se pouco de produtos, pois a ideia principal é criar uma imagem atrelada a benefícios.  Acompanhamos a bela e brasileira Adriana Lima desfilando para a Vitoria's Secret, um sutiã cravejado de diamantes e avaliado em US$ 2 milhões. Alguém vai comprá-lo? Provavelmente não, ele não foi feito para ser comprado. Foi feito apenas para ser apresentado, numa agressiva e cara ação, nesta primeira etapa das marcas.

 

As empresas investem pouco nesta fase de Apresentação. São ansiosas pelo primeiro beijo ao cliente e já se lançam com ofertas e promoções agressivas e, por vezes, pouco elegantes. Apresentação é sedução. É dizer "a que veio" ao mercado. Quais as promessas da marca, seus diferenciais e por quê eu deveria adotá-la. Uma etapa de Apresentação bem-feita, motiva a aquisição de clientes a um custo menor e gera conquistas mais duradouras, clientes mais fiéis.

 

Que ferramentas de comunicação normalmente são adotadas nesta etapa?

Em geral, as de abordagem massificada, ou seja, capazes de atingir o maior número possível de consumidores potenciais. A assessoria de imprensa tem se mostrado como excelente possibilidade, capaz de sensibilizar a opinião pública. Por isso, desfiles e leilões de milhões de dólares agregam valor às marcas e contribuem para que os consumidores vejam, com maior simpatia e valor, os produtos reais e presentes nos pontos de venda. Algumas empresas, entendem a importância desta etapa de Apresentação. Investem em sua imagem institucional, mas agregam elementos que não necessariamente comparecem aos benefícios de seus produtos, no cotidiano de seus clientes.

 


Getty Images

 

Quando uma Vitoria's Secret agrega top models, diamantes e sofisticação a seus desfiles, quer compartilhar um pouco desse "mundo" com suas clientes, mesmo com aquela compra de US$ 19,90. O mesmo ocorre com Andy Warhol que, ao glamurizar a Coca-Cola, contribuiu para torná-la um clássico imortal, mesmo quando compartilhada como "refri" a R$ 1,50.

 

São exemplos a serem seguidos. Entretanto, algumas marcas pecam pelo excesso. Outro dia, vi duas atrizes de primeira linha global, mãe e filha na cozinha, discutindo sobre a eficácia de um sabão em pó. Com muita propriedade e segurança (são atrizes), comentam sobre a felicidade em se usar o produto. Após o comercial, fica a pergunta: será que elas lavam suas próprias roupas na vida real? Será que se encontram na lavanderia para discutirem a brancura de uma gola de camisa?

 

O "up grade" aspiracional é fundamental para a materialização das marcas. Entretanto, este "up" necessita de um "fio terra" capaz de ligar imagem e realidade. Assim também ocorre com grandes redes varejistas de moda que empenham boa parte de suas verbas publicitárias com top models promovendo peças de R$ 19,90, encontradas com grande dificuldade em lojas nem sempre organizadas em seu visual merchandising. Se você mostra "glamour" na comunicação, precisa entregar o mesmo na loja.

 

Ao final, sempre vale aquilo "da maneira que você me quer. O que você pedir eu lhe dou, seja você quem for, seja o que Deus (e o mercado) quiser!"



 



 
Comentários
Paulo Zimmermann | 22/11/2010 | 10h43
Muito bem colocada a questão das empresas tenderem a vender sem construir valor. Produtos sem alma vendidos pela oferta. Será reflexo da falta de perenidade dos executivos?? Bons exemplos citados no artigo provam que produtos com alma perduram e constroem simbolos.
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