Esqueci minha senha
Não sou cadastrado
Seja um Membro
 
 
 
publicidade
 
 
 
 
Conrado Adolpho
Conrado Adolpho
Publicitário digital, palestrante, consultor e especialista em estratégias de marketing na internet. Diretor da Publiweb Marketing Digital, é formado em marketing e pós-graduado em economia. É autor do livro “Google Marketing”, o livro nacional de marketing mais vendido do país em 2008, agora nas livrarias em sua 3ª edição • conrado.adolpho@publiweb.com.br

 
24/10/2010 - 22h30

Comer, rezar, amar e...comportamento do consumidor

ALTERA O
TAMANHO DA LETRA

Fui ver "comer, rezar, amar". Filme bom. Não tinha como dar errado. Alia elementos de livros de auto-ajuda com viés espiritualista e romance temperado com climax de rompimento. A verdadeira "jornada do herói", de Campbell, muito bem elaborada e filmada. Um sucesso certo de literatura e bilheteria.

 

Apesar de todos os homens serem notadamente o "sexo frágil"(exceto alguns figurantes) e um Javier Bardem brasileiro falando português de Portugal e que beija o filho na boca (!), as paisagens a mítica da transformação e as mensagens nas entrelinhas fazem valer o filme, como bem dito pelo blog Imediatices.  Todos que eu conheço que viram o filme, gostaram, inclusive os homens. Eu, que não confio nas unanimidades, digo, ainda assim, o filme é bom.

 

Aliás, o filme vem bem em uma época em que as pessoas estão procurando "equilíbrio", que é uma palavra importante no filme. A busca da personagem vivida por Julia Roberts pelo seu próprio centro.  A cena clássica de curtir a si mesmo lendo um bom livro em um simpático bistrô em uma arborizada rua da antiga Paris povoa as mentes de pessoas no mundo inteiro (inclusive na glamourosa Paris) como um "encontrei o equilíbrio de não precisar de mais nada para ser feliz".

 

Muitas pessoas não conseguem ficar acompanhadas de si mesmas. Procuramos sempre o barulho e fugimos do silêncio...que pode ser muito incômodo ao nos colocar sozinhos conosco mesmos.  Procuramos ser os nossos próprios heróis ao passo que buscamos nossa essência.

 

O filme vai muito ao encontro do que percebemos nas mudanças no comportamento do consumidor em direção a uma descoberta de si mesmo. A busca pela sua identidade em um mundo tão caótico. Javier Bardem já tinha feito um outro filme que tem uma temática parecida em "Vicky, Cristina, Barcelona".

 

Russell Crowe em "Um bom ano" também enveredou pelo tema da auto descoberta. Filmes que narram a saga interior de transformação do ser humano recebem uma resposta muito favorável em uma época em que é exatamente isso que as pessoas estão querendo: se descobrir.  Outro filme que explorou o tema foi "Sob o sol de Toscana", com Diane Lane. Bem ao estilo de "Comer, Rezar, Amar". Mulher procurando a si mesma viaja para Itália, resolve ficar em Toscana e se descobre em uma nova vida. Tanto em um filme quanto em outro, a maior viagem é ao interior de si mesmo.  Talvez um dos filmes mais clássicos de transformação e viagem ao próprio interior tenha sido "A lista de Schindler".

 

O engraçado e sintomático é que os filmes citados se passam na Europa. Uma Europa de vida tranquila e que valoriza o ser humano (Retire a Lista de Schindler dessa última frase). Valoriza a amizade e os problemas de cada um como um universo a parte.

 

O encontro de universos que se dá no encontro de dois seres humanos, tão bem explorado pelos filmes citados se torna um personagem a parte. Como "Um homem, uma mulher, uma noite" em que a relação é um terceiro personagem, "Comer, Rezar, Amar" explora relações, amizades e diálogos de tempos distintos e dragões interiores. O contraste entre a moderna Nova Iorque e as ruínas de uma antiga Roma parece retratar o mesmo conflito contemporâneo diante da dificuldade de se construir sua própria identidade em meio ao caos.

 

O velho mundo que, com sua sabedoria, já descobriu que mais importante do que o trabalho e o lucro é o "dolce far niente" acompanhado de um bom vinho e uma ótima companhia.  Interessante essa visão romântica que o lado de cá - Américas - tem do continente europeu. A ideário da sabedoria em viver.  Assim como o oriente veio até o ocidente com toda a força na forma de inúmeros restaurantes japoneses, massagens tailandesas e novos adeptos ao budismo, a europa agora está tendo a sua vez.

 

Prestem atenção nesse movimento. Uma tendência que trará bistrôs, pubs, hotéis menores e aconchegantes, restaurantes pequenos e com boa comida, locais para se sentar observando a natureza e lendo um bom livro e tudo o que a europa naturalmente já tem. 

 

Se há alguns séculos imitávamos a Europa em seu glamour e requinte, agora, o mundo volta a se "europizar" procurando aquilo que o velho continente nos ensina. Fundimos ocidente e oriente em uma busca pelo equilíbrio que só o centro nos dá. O caminho do meio budista ou ainda o meio termo entre os prazeres mudos da comida na agitada e falastrona Itália, a quietude meditativa da caótica e barulhenta India e, por último, os segredos de liquidificador de um amor intenso.  O equilíbrio só pode ser encontrado no desequilíbrio. Para se encontrar, às vezes, é preciso se perder.  Um bom filme que mostra que não vendeu tanto a toa. Vale a pena assistir com olhos das tendências que virão e do mundo em que vivemos.

 

Marketing é vida. Saia um pouco da frente do computador e vá comer, rezar e amar um pouco.



 



 
Comentários
Fernando Adas | 16/11/2010 | 08h05
Oi Conrado, Muito bacana sua leitura do filme e o destaque a esta tendência ao welness... Também gostei do filme e me inspirei a um artigo mais voltado ao relacionamento com o consumidor, área de atuação nossa. Compartilho o texto com você. Abraços. Fernando. http://www.fmarketing.com.br/blog/2010/03/29/comer-rezar-e-amar-nas-empresas/
Comente também este artigo! Clique aqui.
 
 
Mais artigos
MERCADOLOGIA - 04/05 | 16h32
MARKETING DIGITAL - 03/05 | 16h29
MARKETING DE RELACIONAMENTO - 28/04 | 01h32
MERCADOLOGIA - 28/04 | 01h43
EMPREENDEDORISMO - 06/04 | 22h03
Veja mais artigos
 
publicidade

 
publicidade
 
 
 
 
 
 
 


www.joww.net | Johnatan Oliveira