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Martha Gabriel
Martha Gabriel
Formada em Engenharia com pós graduação em Marketing e Design Gráfico, mestrado em Artes. Coordenadora e professora do MBA em Marketing da HSM Educação. Consultora e CIO da NMD New Media Developers. Autora de quatro livros, inclusive o best seller "Marketing na Era Digital". Palestrante internacional, recebeu 3 prêmios de “Best Presentation Award” em congressos nos USA • martha@martha.com.br • www.martha.com.br • @marthagabriel

 
09/06/2010 - 16h05

Quem com #FAIL fere, com #FAIL poderá ser ferido!

Precisamos de EDUCAÇÃO 2.0, que nos dê o FALAR 2.0 e OUVIR 2.0 de forma ÉTICA.
ALTERA O
TAMANHO DA LETRA

Não é novidade alguma o fato de que as redes sociais digitais deram voz aos indivíduos. Todo ser humano pode hoje, virtualmente, falar o que quiser e de diversas maneiras. Por um lado isso é excelente, pois dá vazão à liberdade de expressão. Por outro lado isso pode ser terrível, porque infelizmente, muitas vezes, a liberdade é confundida com libertinagem!

 

A liberdade está intimamente associada à responsabilidade. Não se pode ser verdadeiramente livre sem assumir a responsabilidade decorrente dessa liberdade. E de todas as liberdades que podemos ter, acredito que a liberdade de expressão é a que mais revela uma pessoa - seu pensamento, seu caráter, suas atitudes, sua educação, seu coração. Tem uma frase que gosto muito, que diz:

 

"Não há nada que melhor defina uma pessoa do que aquilo que ela faz quando tem toda a liberdade de escolha." -- William M. Bulger

 

Pois bem, agora as tecnologias digitais interativas deram às pessoas a liberdade pra escolher o que falar, como falar e onde falar, à vontade. As pessoas ganharam voz, indubitavelmente. Mas ter voz não é suficiente para se construir uma comunidade de livre expressão, é preciso aprender a falar. Falar, no contexto social, de alguma forma está sempre ligado a se relacionar, e relacionamento envolve ética. Será que estamos esquecendo ou será que não aprendemos ética? Isso mesmo, ética - a palavra mais importante no relacionamento humano. Desde a antiguidade, a preocupação ética sobre o que se fala é tratada em textos, contos, histórias.

 

A palavra tem poder tanto para construir com para destruir. O famoso texto "As Três Peneiras", atribuído a Sócrates, recomenda que qualquer assunto antes de ser falado deva passar pelas peneiras (filtros) da verdade, a bondade e a necessidade. Acredito que as duas últimas peneiras (bondade e necessidade) estão sujeitas ao entendimento de cada coração e de cada mente. No entanto, a primeira peneira não é primeira à toa - a verdade é a responsabilidade da liberdade de expressão. Ela está sujeita à lei, sim, mas acima de tudo, falar algo que não é verdade e que afete alguém é anti-ético. E isso, nas relações humanas, é mais importante do que a lei em si.

 

No paradigma das mídias tradicionais, apenas alguns têm voz e o poder de falar. Já no paradigma das mídias sociais, todo mundo pode falar, quando, onde e como quiser, inclusive criticar. As pessoas criticam muito e isso faz parte da natureza humana. Veja a quantidade de #FAIL que é dada a cada minuto no Twitter. Não que a crítica não seja uma coisa boa. Ela é! E muito importante para a melhoria de processos e pessoas.

 

Um #FAIL bem dado, baseado na verdade, é sempre uma oportunidade para se resolver problemas, para melhorar. Sempre digo que aprendi e me desenvolvi muito mais com críticas do que com elogios. Uma crítica bem feita pode ser também caminho para se alcançar a justiça. No entanto, uma crítica mentirosa, maldosa ou injusta, pode causar danos desastrosos. Uma crítica, para ser boa e positiva, precisa ser fundamentada, baseada na verdade - a primeira peneira de Sócrates. Se puder se basear também na bondade e utilidade, maior será o seu valor.  No entanto, nesse coral de empossados de voz via mídias sociais, é triste ver a quantidade de pessoas que criticam com veemência, sem base verídica alguma, e muitas vezes também sem bondade e utilidade.

 

Penso que, se por um lado quem tem voz precisa falar com ética, por outro lado precisamos também aprender a ouvir, a afinar os ouvidos para validar a informação e saber a quem ouvir - ouvir com ética também. Creio que com o tempo, as pessoas aprenderão a discernir entre o que se deve ou não ser ouvido, acreditado. Esse processo servirá para auto-regular as redes sociais digitais, do mesmo modo que nos auto-regulamos nas redes sociais presenciais. Acredito na educação como base e solução para uma sociedade ética, e penso que o único modo de minimizar a avalanche crítica que entope de #fails descabidos e besteiras as mídias sociais, é educando. Já temos TECNOLOGIA 2.0, que nos deu VOZ 2.0. Precisamos de EDUCAÇÃO 2.0, que nos dê o FALAR 2.0 e OUVIR 2.0 de forma ÉTICA.

 

Apesar dos estragos causados nas mídias sociais devidos à falta de educação e ética, acredito que existe um lado muito interessante nesse processo: quando alguém se expressa livremente, está se revelando amplamente. Assim, o que se fala, pode depor a favor ou contra quem fala. Quando se age de forma antiética, não é apenas ao outro que se está atingindo, mas a si próprio - revelando o tipo de ser humano que se é realmente. Algumas vezes, uma pessoa que dá um #FAIL pode estar, na realidade, mostrando que #FAIL é ela. Fazendo uma analogia com a frase de Carrie Fisher, é como beber veneno e esperar que o outro morra.

 

Antes de escrever o próximo tweet, pense não apenas no assunto que ele diz, mas, principalmente, no que ele diz sobre você ;-)



 



 
Comentários
Marcos Masini | 11/06/2010 | 15h21
A @MarthaGabriel , como sempre, perfeita em suas colocações. [ ]'s @MarcosMasini http://jornalistamasini.wordpress.com
Pedro Cordier | 12/06/2010 | 00h26
Assisti uma palestra da Martha Gabriel no IMRS 2009 e, há pouco tempo (maio de 2010), tive a oportunidade de fazer um curso de marketing político digital ministrado por ela. Não só gostei MUITO como RECOMENDO!! Nesse artigo, quando ela fala "Precisamos de EDUCAÇÃO 2.0, que nos dê o FALAR 2.0 e OUVIR 2.0 de forma ÉTICA", não é da boca pra fora... além de Martha Gabriel ser uma comunicadora NATA, sabe tratar as pessoas com HUMANIDADE 2.0!
ana fontes | 15/06/2010 | 10h22
Tive a feliz oportunidade de assistir uma palestra com a Martha na ACSP e entendi claramente o significado da palavra empatia. Ela é ótima. E este artigo me faz acreditar mais ainda, se é que isto é possível. rs De Fato nós temos o hábito de criticar de forma as vezes até leviana. E o que a Martha fala é absoluta verdade. Sou sócia de um Portal de Elogios - ELOGIEAKI, e vejo como é dificil as pessoas reconhecerem algo que foi bem feito e como é fácil reclamar. Mas tb acreditamos neste movimento de mudança e q o ser humano deve e pode ser ético e justo. Martha Parabéns 2.0 e claro ELOGIOS 2.0 para você. Ana Fontes - Diretora www.elogieaki.com.br
Israel Degásperi | 30/08/2010 | 20h16
Excelente texto :-)
vincius | 31/08/2010 | 17h15
Dá mesma forma que existem os rebeldes sem causa na "vida real", existem os rebeldes sem causa na vida online. Se vc der uma pesquisada, qualquer coisa é motivo de fail. "Fiquei esperando 2 min na linha a ligação para a telefonica #telefonicafail" "O submarino demorou 2 horas a mais do esperado para fazer minha troca #submarinofail" "a vizinha deixou lixo na minha porta #vizinhafail" Creio que falta sim Educação 2.0, mas além de tudo falta Bom Senso 2.0, também!
Edson Caldas Jr | 12/12/2010 | 15h03
Simplesmente perfeito o artigo todo. Mas essa parte resume bem a falta de noção de alguns usuários: "Já temos TECNOLOGIA 2.0, que nos deu VOZ 2.0. Precisamos de EDUCAÇÃO 2.0, que nos dê o FALAR 2.0 e OUVIR 2.0 de forma ÉTICA."
Tiago Baeta | 12/12/2010 | 18h46
Martha, que bom ver este artigo seu. Alguém precisava levantar essa bandeira! Parabéns! Grande beijo!
Douglas Heleno | 10/01/2011 | 17h15
Tenho uma critica ou um #Fail a fazer, já que a critica bem feita é construtiva. Na próxima vez que prometer enviar um material por email sobre uma palestra sua, envie-o, estou esperando deve fazer uns 3 ou 4 meses. Fui em uma palestra sua na ACSP, o conteúdo é bom, mas pecou nesse ponto. espero que esse #Fail ou critica construtiva seja valorizada por você. Sucesso.
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