Sim! Tenho conseguido chegar em casa antes da novela das sete e
comecei o ano ouvindo Gilberto Gil na música de abertura. Anos atrás,
Marisa Monte havia nos brindado com essa pérola de reflexão sobre os
tempos modernos, que nos leva a pensar alguns momentos de nossa vida
corporativa.
As empresas andam com seus cérebros eletrônicos a mil por hora.
Executivos fazem tudo, quase tudo. Elaboram, planejam, cruzam dados,
emitem planilhas, mas, muitas vezes, ficam mudos. Que os briefings
estão mais econômicos e monossilábicos, todos já sabem. Que as empresas
estão ansiosas por prazos e com foco excessivo no operacional, também
deixou de ser novidade. O que me surpreende nesta cadeia produtiva é
esse ruído entre o comandar, o desmandar, o mandar, cujo resultado
final, não anda.
Sofremos muito com essa palidez de informações, por parte das
empresas contratantes. Só ela pode pensar se Deus existe. Só ela pode
chorar, se esforçar e obter informações capazes de gerar boas
campanhas. É lógico que os fornecedores, com seus botões de ‘carne e
osso' ajudam na interlocução, no ‘falo e ouço' mais objetivo e capaz de
produzir um diagnóstico e um plano de ação. Para tanto, o bom roteiro
de briefing torna-se fundamental e assegura boas ideias capazes de
envolver toda a equipe, do Atendimento ao Criativo, da Produção ao
Consumidor.
Toda vez que somos chamados a uma reunião de projeto, tentamos
perguntar mais que responder. É uma postura de resistência que
insistimos em manter para que possamos decidir se a campanha terá vida
ou morte. E porque somos ‘vivos pra cachorro', sabemos que nenhuma
campanha mal planejada foge do caminho inevitável para a morte.
Nós acreditamos nos clientes. Acreditamos em seus cérebros que,
mesmo eletrônicos, são temperados por emoções que os aquecem. Não
cremos no impulso primitivo para a morte e entendemos que toda campanha
tem seu começo, meio e fim. E que um bom fim é fruto de um bom começo.
Por isso, mesmo conscientes dos botões de ferro e dos olhos de vidro
que o mercado nos impõe, prosseguimos animados, dançando conforme a
música e crentes de que a persistência, a paciência e a informação
também são impulsos capazes de dar vida aos projetos.
Quer ouvir a música?