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Arnaldo Rabelo
Arnaldo Rabelo
É consultor de marketing e professor de pós-graduação. Tem MBA em marketing pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), estágio de estudos nos Estados Unidos, extensões pela USP, FGV e Istituto Europeo di Design, é graduado em desenho industrial (FATEB) e arquitetura (USP). Ocupou cargos executivos nas áreas de marketing e comunicação na Klin Produtos Infantis, Contém 1g S.A. e Instituto Ayrton Senna, tendo participado do lançamento do personagem Senninha. • mkt@arnaldorabelo.com.br

 
17/06/2009 - 11h15

Como avaliar personagens para uso em produtos

Quais critérios podem ser utilizados para a escolha de personagens licenciados para aplicação em produtos?
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TAMANHO DA LETRA

 

 

No começo deste mês de junho ocorreu em Las Vegas a Licensing International Expo, a mais importante feira mundial sobre licenciamento de marcas e personagens.

 

O licenciamento é o processo pelo qual as empresas podem contratar por um determinado período uma autorização de uso de uma arte, personagem, marca ou celebridade em seus produtos. É em função do licenciamento que vemos roupas infantis com estampas da Barbie ou brinquedos com personagens da série de filmes Star Wars, por exemplo.

 

A feira deixou evidente a grande variedade de conteúdos disponíveis para licenciamento. As empresas que pretendem utilizar personagens licenciados em seus produtos têm a árdua tarefa de escolher os mais adequados. Muitas têm dúvidas sobre quais critérios utilizar na análise e nem sempre fazem escolhas que resultam em sucesso no ponto-de-venda.

 

A avaliação de personagens não pode ser feita com base apenas na sua exposição. É claro que personagens muito famosos impactam um público muito grande. Mas, assim como há produtos de massa e produtos de nicho (um pequeno segmento do mercado), há personagens de massa e de nicho. Precisamos ver o que é adequado a cada empresa.

 

O que influencia vendas futuras em um personagem ou marca é basicamente:

  • seu reconhecimento pelo público (nome, desenho, símbolos, histórias...);
  • a relevância dos conceitos associados a ele (significados ligados ao personagem, seus valores e princípios, o quanto são diferenciados e valorizados pelo público).

 

Ligados aos itens anteriores, consideramos muito importantes também o quanto a idéia de qualidade é associada ao personagem e o nível de lealdade que o público tem em relação a ele.

 

Devemos considerar que o período que um persnagem faz sucesso varia. Temos os personagens "clássicos", que fazem sucesso há décadas e não cairão no esquecimento (como o Mickey). E temos também personagens "da moda", mais ligados a ações promocionais ou lançamentos passageiros, como os ligados a um filme (Transformers, por exemplo). A empresa deve escolher o que é mais adequado à utilização que fará dele e ao ciclo de desenvolvimento de seu produto.

 

Um dos pontos mais críticos na escolha de personagens para licenciamento é a adequação. Devemos verificar se são adequados:

 

  • os conceitos do personagem à categoria de produtos;
  • o público do personagem ao público da empresa (faixa etária, gênero, classe social, estilo e outros aspectos comportamentais).

Assim como nenhuma empresa tende a ter sucesso oferecendo todo tipo de produto a todos os públicos, um personagem licenciado tende a ser indicado a apenas algumas categorias de produtos e alguns públicos (não todos). A necessidade de foco é um dos pontos mais negligenciados pelos administradores de marcas e personagens.

 

Outros pontos que também devem ser considerados são:

 

  • quais empresas já licenciam o personagem;
  • que casos de sucesso de vendas existem com a utilização do personagem;
  • nível de apoio que o licenciador (proprietário dos direitos autorais sobre o personagem) dá aos licenciados;

 

 

Se a escolha é feita de forma adequada e os produtos são bem desenvolvidos, o personagem agrega valor através das novas associações que gera, criando maior atratividade dos produtos ao seu público. Hoje, o licenciamento de marcas e personagens no Brasil gera cerca de 1 bilhão de dólares em vendas ao varejo e tem enorme potencial de crescimento.

 



 



 
Comentários
Dámaris | 29/06/2009 | 16h54
Existe algum parametros de considerações com relação á faixa etaria da criança?
Arnaldo Rabelo | 02/07/2009 | 01h13
Sim, você deve considerar as diferenças entre as faixas etárias. De acordo com a faixa de idade da criança, suas capacidades, habilidades e interesses mudam. Assim, podemos dividir o público infantil em segmentos, de acordo com a faixa etária: - de 0 a 3 anos: Fase de grande dependência da mãe. A criança não participa do processo de consumo, exceto como usuária dos produtos. O licenciamento procura levar à mãe personagens delicados, que expressem a imagem que ela tem da primeira infância. - de 4 a 8 anos: Fase onde já há certa autonomia. A criança é influenciadora de compra. Ela está na fase de fantasia, onde os meninos valorizam força e velocidade (super-heróis) e as meninas valorizam delicadeza, beleza e sensibilidade (fadas e princesas). - de 9 a 12 anos: Fase de grande autonomia. A criança é praticamente decisora de compra, embora a mãe ainda participe do processo. Nessa fase, a criança já compreende regras e papéis sociais. Além disso, começa a querer se dissociar de tudo o que caracteriza a infância, pois quer se estabelecer como crescida. Tem os adolescentes como referência. O pré-adolescente quer expressar sua personalidade enquanto procura se integrar em seu grupo social. Os personagens são mais radicais, irreverentes e transgressores (principalmente para os meninos) ou podem representar a inclusão em um grupo social, expressando relacionamento com o grupo de amigos ou amigas (principalmente para as meninas). Marcas também fazem parte do universo desta criança (e podem ser licenciadas). Essa divisão etária é aproximada, pois existe uma variação considerável.
Adriano Berger | 07/07/2009 | 13h24
Pois é, Arnaldo, daí a necessidade de um profissional de marketing acompanhar a programação da TV, frequentar festinhas de aniversário, visitar lojas de brinquedos, além, é claro, de estar ligado em tudo a sua volta, principalmente analisando o comportamento das pessoas e das crianças. Uma tarde num parquinho observando grupos de crianças brincando pode ser o início de uma grande campanha. Na fantasia, no "faz de conta" deles, está estampado claramente o que almejam, o que apreciam, quais personagens os inspiram e o quê gostariam de comprar e de ganhar. Quando criança, eu brincava de Buck Rogers e de Chips (seriados da TV), mas no natal ganhei uma fantasia do Capitão América que não me entusismou nem um pouco... Abs!
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