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Tiago Aguiar
Tiago Aguiar
É advogado e empresário desde 2003. Vencedor do programa O Aprendiz 4 - O Sócio, conquistou sociedade com o publicitário Roberto Justus. Em 2010, estreou o programa Atitude BR - Empreendedorismo na TV que vai ao ar todos os dias na TV Record News

 
05/02/2012 - 21h13

Ganância: inimiga número 1 do empreendedorismo e do desenvolvimento

É necessário repensar os modelos de negócio de modo que os lucros sejam revertidos em benefício de uma sociedade mais justa e equilibrada.
ALTERA O
TAMANHO DA LETRA

Recentemente, minha esposa ficou gripada e saí para comprar remédios em uma farmácia perto de casa. Meu primeiro susto foi que a concorrência está cada vez menor no ramo farmacêutico, onde grandes conglomerados estão se formando e deixando o consumidor sem alternativas. O segundo, o preço: por um xarope e um antibiótico de 20 pílulas, R$ 149,00.

 

Com o crescimento econômico e a entrada da chamada nova classe C na economia, tenho percebido que grandes empresas aproveitam este momento para realizar grandes lucros no Brasil. Balanços financeiros mostram que os grandes bancos brasileiros, a cada ano, atingem lucros líquidos de alguns bilhões de reais. Outras empresas, como petrolíferas, farmacêuticas, construtoras, indústrias automobilísticas e varejistas, têm sofrido perdas no resto do mundo, mas vêm tendo seu balanço equilibrado graças às filiais brasileiras.

 

Quando se pensa em tirar uma ideia do papel e criar um novo negócio, é claro que o empreendedor deseja o lucro. Porém, para que algo seja sustentável ao longo do tempo, há um limite de preço que o consumidor está disposto a pagar por um produto, principalmente quando este produto pode ser comprado por um valor menor fora do país. Há um limite também para o desconhecimento do consumidor em relação ao valor do dinheiro em comparação ao produto que se irá comprar.  De forma alguma sou contra o lucro; quando se decide empreender, o lucro deve ser buscado desde o primeiro dia da empresa. É isso que faz com que uma empresa cresça, contrate funcionários, pague mais impostos etc., sempre movendo-se num ciclo virtuoso.

 

No entanto, é necessário repensar os modelos de negócio de modo que os lucros sejam revertidos em benefício de uma sociedade mais justa e equilibrada, na qual um cidadão comum possa comprar um remédio dentre diversas opções de estabelecimentos e por um preço justo, por exemplo. Afinal, não podemos esquecer, em meio à euforia do crescimento da nossa economia, que o consumidor brasileiro, em comparação com países desenvolvidos, está pagando cada vez mais para ter moradia, carro, comida, vestuário, remédios etc. e as empresas estão lucrando mais aqui do que em qualquer outro país.  O lucro a qualquer preço deixa de ser uma forma de medir o sucesso de um empreendedor e torna-se ganância, pois quase sempre coloca a qualidade em segundo plano e torna a empresa menos humana. Esse empreendedor é prejudicial à sociedade e raras vezes tem vida longa nos negócios. Lucro só é sinônimo de sucesso quando for produto de qualidade, responsabilidade e consumidor satisfeito.



 



 
Comentários
Géssyka Regina | 09/03/2012 | 15h20
Concordo plenamente com você, sou uma estudante de administração e esse tipo de coisa, é o que mais vejo por ai! Precisamos mudar o pensamento desse povo e quem sabe as atitudes. Acha que esse tema me daria uma boa monografia??? Se tiverem alguma sugestão, por favor, me comunique. Agradeço desde já.
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