Toda empresa, grande ou pequena, precisa parar de apagar os incêndios do dia-a-dia de vez em quando para pensar no futuro. Não necessariamente o futuro de longo prazo, mas o que o empreendedor imagina para sua empresa para os próximos 3 meses, no mínimo ou 1 ano, idealmente.
Algum tipo de planejamento é necessário para organizar este pensamento sobre o futuro imediato. O empreendedor precisa fazer previsões, estabelecer cronogramas, criar cenários, antecipar possíveis riscos e restrições, definir alternativas de ação, fazer orçamentos, projetar receitas, entre outras ações orientadas para o futuro de curto e médio prazos sem as quais seu negócio é colocado em xeque diante das circunstâncias do ambiente externo.
A grande dificuldade de qualquer planejamento é vislumbrar todas as possibilidades relacionadas com o futuro. Num ambiente altamente volátil e dinâmico em que estamos inseridos, sobretudo no Brasil, onde outros fatores específicos corroboram para o aumento da instabilidade e incerteza, planejar se parece muito com exercícios de adivinhação, pois o pequeno empreendedor não tem condições de assimilar e processar todas as informações necessárias para traçar algum cenário futuro com o mínimo de segurança e certeza. O que fazer então? Eis algumas dicas para lidar com a incerteza:
a) Estabeleça objetivos.A primeira coisa que devemos pensar sobre planejamento é o nosso destino, onde queremos chegar, qual meta queremos atingir. Se você não tiver um objetivo, qualquer caminho serve, como na piada do português que entra no elevador e responde ao ascensorista que lhe pergunta o andar: ‘Qualquer um, entrei no prédio errado mesmo!'. Bons objetivos são:
- Claro - Todos compreendem e sabem o que fazer para alcançá-lo
- Mensurável - Deve existir alguma forma de controlar os avanços para atingi-lo
- Motivador - Deve inspirar as pessoas envolvidas a buscar contribuir de alguma forma para atingi-lo
- Atingível - As pessoas acreditam que podem alcançá-lo
- Desafiador - Não é fácil demais a ponto de desestimular e nem difícil demais a ponto de desistir
- Relevante - Alguém deve atribuir algum grau de importância para ele.
b) Promova o auto-conhecimento. Você não sabe a extensão de sua jornada sabendo apenas aonde quer chegar. Precisa também saber de onde está partindo. Saber qual é o seu negócio é o fundamental, mas é preciso também saber se posicionar no mercado, conhecer as competências e limitações da sua empresa e conseguir explicar como e por que sua empresa chegou até onde chegou. Seu passado dá excelentes dicas sobre o futuro. Veja se você se conhece:
- Qual é o seu faturamento anual? Como ele é composto?
- Quais são as características dos seus clientes? Que atributos eles vêem no seu produto ou serviço?
- Em que mercado você atua? Qual a abrangência de atuação do seu negócio?
- O que você faz bem e sempre justificou histórias de sucesso?
- O que no passado lhe custou caro e você sabe que precisa melhorar?
- O que você conquistou até agora? Qual o seu atual patrimônio?
- Quais pessoas fazem parte da sua empresa? Porque elas são importantes para o seu negócio?
c) Fique atento. Se você não consegue prever tudo, tente pelo menos identificar algum sinal de algo que pode acontecer. Para isso, é fundamental saber lidar com um recurso que antes era escasso e raro e hoje é abundante e pleno: A informação. Não se preocupe com quantidade de informação, mas com a qualidade. Existem vários tipos de informação, de naturezas distintas. Eis algumas dicas sobre cada uma:
- Mídia aberta - Hoje o empreendedor se depara com outro problema: o que escolher não saber! Filtre suas fontes de informação, mantendo apenas aquelas que sejam mais relevantes, objetivas e pontuais em função de suas necessidades.
- Associações de classe - Elas podem te dar informações sobre o seu setor de atuação.
- Clientes - Ouça as reclamações do seu cliente. Nelas estão escondidas as oportunidades de melhoria e também o que está acontecendo no mercado.
- Concorrentes - Descubra o que eles estão fazendo. Qual é o próximo passo deles, como eles vêem sua empresa.
- Redes de contatos - Mantenha-os ativos e trabalhando a seu favor.
d) Tenha alternativas. Talvez um dos pontos mais importantes de qualquer planejamento focado em futuros incertos seja a capacidade de tornar o plano flexível o suficiente para acomodar as mudanças e descobertas que surgem durante sua execução. Ter um planejamento é melhor do que não ter nenhum, mas ter um planejamento e segui-lo à risca, custe o que custar, é acreditar que o mundo é imutável. Da mesma forma que não devemos deixar o barco ser levado ao sabor do vento sob o risco de nos distanciar do objetivo, também não devemos nos iludir com a crença de que tudo sairá como planejamos. O plano ideal deve possuir os seguintes elementos:
- Análise de riscos - Saber o que pode dar errado, incluindo as chances de acontecer e o prejuízo que pode dar se acontecer. Quanto maior a combinação entre estas chances e o prejuízo potencial, maior o risco e maior deve ser a atenção.
- Identificação das limitações - Algumas coisas você sabe que não conseguirá fazer. Um bom auto-conhecimento indica qual é a sua praia e onde você não deve se aventurar.
- Planos de ação alternativos - Se algo der errado, o que você fará? Quanto maior o risco ou limitação, mais detalhados devem ser seus planos alternativos. Não se consegue antecipar todas as possíveis ocorrências, mas ter alternativas, mesmo que não todas, é melhor do que não ter nenhuma.
Pensar no futuro significa pensar nestes 4 pontos, no mínimo. Você pode não prever o futuro, mas pode perfeitamente se preparar para não ser pego desprevenido.