
Atualmente
as empresas estão buscando cada vez mais gerir suas marcas com conjunto
de valores completamente diferentes dos que conhecíamos há 10 anos. A
velocidade substituiu a estabilidade, os valores intangíveis se
tornaram mais valiosos do que os tangíveis.
As empresas não
conseguirão competir no mercado se os clientes não acreditarem na
competência delas. Ao mesmo tempo, a funcionalidade não basta para
criar uma marca diferenciada, porque a concorrência, em geral, possui
capacidades técnicas similares ou até mesmo idênticas.
Um dos
grandes desafios enfrentados pelas empresas passa pelo desenvolvimento
de uma capacidade e modelo de diferenciação junto aos seus
concorrentes, que não se norteia unicamente nos benefícios tangíveis da
marca.
Nesse contexto, as empresas passam a valorizar as marcas
enquanto fator competitivo forte, consistente e duradouro que, aliado
às emoções estimulam junto ao consumidor a sensação de proximidade,
afeição e confiança.
Nos últimos tempos, a marca ganhou
autonomia e importância, deixando de ser associada apenas ao nome e ao
logotipo do produto ou serviço, passou a englobar outros conceitos como
a imagem, a notoriedade, a personalidade e as associações que se
manifestam de forma tão complexa quanto à primeira. Assim, a marca é
vislumbrada como sendo um suporte real da intangibilidade apontada como
o elemento fundamental das promessas dos benefícios junto do consumidor.
A
identidade da marca tem como principal função garantir um elo entre a
empresa e o cliente e deve representar valores seguindo atributos
funcionais, emocionais e auto-expressivos. O desenvolvimento da imagem
se formaliza na criação de uma identidade, que possa mostrar um perfil
ou uma personalidade impactante e presente, com o intuito de criar
empatia e identificação entre consumidor e marca.
Os atributos funcionais são percebidos em elementos como o nome, símbolo, cores e tipografia utilizadas para compor a marca.

Segundo
Martins (2000, p. 74): a identidade é expressada nos nomes, símbolos,
cores e ritos de passagem dos quais as organizações se utilizam para
distinguirem a si mesma ou as suas marcas. Até certo ponto, esses
elementos possuem as mesmas finalidades dos símbolos religiosos,
brasões de família, a bandeira nacional ou o brasão da República, os
quais encapsulam, e mantêm vivo, um sentimento coletivo de propriedade
e propósito. Em outro sentido eles representam padrões consistentes de
qualidade e propriedade, encorajando a lealdade dos consumidores, ou
cidadão, formando associações. Qualquer foto do Cristo Redentor
remeterá as mentes das pessoas à cidade do Rio de Janeiro e às
inevitáveis associações que o símbolo projeta em cada pessoa (beleza,
praias, mulheres, violência).
A
marca é envolvida por atributos emocionais em sua essência, traços este
de personalidade da marca. Para Gobé (2002, p. 19): Por emocional,
quero dizer como uma marca se comunica com os consumidores no nível dos
sentidos e das emoções. A criação de marcas emocionais fornece os meios
e a metodologia para conectar produtos ao consumidor de uma forma
profundamente emocional. Ela focaliza o aspecto mais forte do caráter
humano; o desejo de transcender a satisfação material e experimentar a
realização emocional. A marca é univocamente estabelecida para cumprir
essa tarefa, pois pode ativar os mecanismos que sustentam a motivação
humana.

Macintosh e sua ligação emocional com o consumidor.
A
personalidade da marca é definida como um conjunto específico de
significados que denominam características únicas e intrínsecas à
marca, significados estes que são baseados no caráter das marcas,
idênticos aos das pessoas.
Os atributos auto-expressivos por sua
vez estão ligados à maneira de como o consumidor se sente ao utilizar
determinado produto, criando assim uma relação próxima e pessoal entre
o indivíduo e a marca consumida. A marca cria significados através da
sua imagem conectando as pessoas e ajudando-as a expressar quem somos,
para onde vamos ou quem não somos. Para Lannon (1993), em um nível mais
complexo, os símbolos das marcas é parte do esforço dos indivíduos para
construir uma identidade. Tudo que comprarmos pode significar e
denominar quem somos, para onde vamos e quem não somos e mais como
queremos que os outros nos vejam, como achamos correto nos comportar.
A
identidade da marca determina as linhas gerais do processo comunicativo
e posicionamento pretendido pela empresa junto aos consumidores.
Os
consumidores contemporâneos exigentes e mais informados mudaram seus
hábitos de consumo que antes eram baseados em quantidade, tangibilidade
e dinheiro, e hoje buscam qualidade, intangibilidade e o tempo. A
gestão de marcas não é mais focada apenas para a venda de produtos ou
serviços, mas sim, em um negócio de comunicação proporcionando assim
laços afetivos e benefícios emocionais para o consumidor. As conexões
emocionais exigem uma sintonia de valores entre marca e consumidor.
Conseguir
alcançar emocionalmente os consumidores por meio de uma experiência
generosa, dedicada, inovadora e autêntica eleva uma marca para além de
critérios como preço, características e benefícios e a posiciona em um
nível superior em relação a suas concorrentes, garantindo assim
comprometimento do cliente.
Nos dias atuais a diferenciação das
empresas de suas concorrentes, prende-se no ambiente emocional que se
estabelece com o consumidor, fazendo-o com argumentos lógicos e
emotivos. (OLINS, 2005)
No processo de concepção e divulgação de
uma marca é necessário compreender o que motiva a opção de compra e é
fundamental utilizar uma imagem (mental e simbólica), adequada aos
sentimentos do consumidor. (MARTINS, 1999)

Marca Starbucks acrescentou um novo significado
ao hábito de tomar café e transformou-o em uma experiência.
Portanto
a gestão emocional das marcas líderes de mercado passa a representar um
ideal de vida para o consumidor, procura algo mais do que a simples
satisfação da necessidade básica a que determinado produto/serviço se
propõe, busca outros benefícios adicionais, intangíveis e emocionais,
gerando assim relacionamentos duradouros, atingindo assim o propósito
do marketing satisfazendo às necessidades e desejos dos consumidores.
Referências
BRANDÃO, Thales. O valor emocional das marcas. Projeto de Pesquisa. Faculdade de Sergipe. Administração de empresa com ênfase em marketing. Ano 2006.
GOBÉ, Marc. A emoção das marcas – Conectando marcas às pessoas. Rio de Janeiro: Negócio, 2002.
LANNON, J. Brand equity & advertising: advertising’s role in building strong brands. New Jersey, 1993.
MARTINS, José Roberto. A natureza emocional das marcas. São Paulo: Negócios, 1999.
______________. Branding. São Paulo: Negócios, 2000.
OLINS, Wally. A marca. Lisboa: Verbo, 2005.
Fotografias:
* Capa do Livro Apple Confidential * Site Starbucks (www.starbucks.com)
* Imagens do Rio de Janeiro (http://www.sxc.hu/)